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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024
terça-feira, 17 de dezembro de 2024
// das vogais
"Algumas são redondas, outras,
tem a forma consolidada dos cilindros.
Umas são óvulos de luz e apetece dizer
que são pequenos sais de que o pó das estrelas
se alimenta. Do amarelo ao roxo, do branco ao verde
e ao vermelho, elas são a múltipla paleta do arco-íris.
A paleta da fala, quando a voz já não tolera as
consoantes do silêncio."
(Albano Martins)
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Foto _ desnecessário fazer brilhar as árvores,
estão é a machucá-las :((
domingo, 15 de dezembro de 2024
///entre silêncio e palavras
"Como cortar relações?
Às vezes tesoura cega basta
noutos casos é preciso usar os dentes
o fio de uma peixeira
a minúcia de um canivete suiço
Às vezes a substância é tão frágil
que com a idéia de um corte
se desmancha
noutros casos há que cortar
os mares."
(Adriana Lisboa)
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2024
// 'escrevo escrevo e não paro'
É fim de tarde.
Mais um dia se esvai.
A areia do tempo cai, aos poucos, na ampulheta,
O sol se oculta, a noite vem meio nebulosa
Um novo Ano, prenuncia
A esperança se escondendo, assustada , oprimida
A vivência que acusa , não absolve
No entanto,permanece, no fundo da alma
Uma coragem atrevida
Empurrando as nuvens, tentando adiar
algumas despedidas.
(2024, dezembro)
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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
/// parte da paisagem
"Duas mãos ,
dois hemisférios cerebrais,
quatro cavidades cardíacas
um par de ouvidos perplexos ,
mais de duzentos ossos (três deles quebrados)
e o sentimento do mundo. Algo
acontecendo em segredo, e o cerco
da neblina em torno de velhas convicções .
Um quarto de hotel ou mosteiro,
o zazen informal de uma corda
dedilhada ou do gelo tilintando no copo,
Um resto de elegância, Leonard,
e de loucura. O tempo que escorre,
este dar-se conta."
(Adriana Lisboa)
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domingo, 8 de dezembro de 2024
/// na mesa de cabeceira
Hoje
"Queria um poema feito de excessos e dourados
Ah ... como eu queria um poema diferente da
pureza do granito, e da pureza do branco e da
transparência das coisas transparentes.
Um poema exultando na angúsita, um largo
rodondendro cor de sangue. Uma alameda
inteira de rododendros por onde o vento, ao
passar, parasse deslumbrado e em desvelo.E,ali
ficasse, aprisionado ao cântico das suas
pulseiras tão (mas tão preciosas).
Nu ,de redondas formas, um tal poema queria
Uma contra-reforma do silêncio.'
...
( Ana Luisa Amaral)
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
/// com um toque
"É tempo de ter um amuleto com um amor bordado dentro
É tempo de cavar as palavras secas no fundo do poço
É tempo de decobrir o rubi que você pensa que é uma pedra no sapato
É tempo do tempo morto morrer dentro de você
É tempo de fazer nascer o poeta inato que você é."
( Mano Melo)
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terça-feira, 3 de dezembro de 2024
// um pouco da América
31 de outubro, nos Estados Unidos
Os americanos levam muito a sério o Halloween.
Durante a última semana de outubro já se faz presente
nas fachadas das residências uma decoração divertida.
As famosas abóboras iluminadas, as caveiras,os morcegos
as bruxas.Cada um querendo ser mais horrível que a outra
porta. Quanto mais assutador, melhor.
Tudo muito bem preparado, culminando no dia 31 com grande
movimentação nas ruas.As famílias com fantasias temáticas
com suas crianças e seus baldinhos para encher de doces
(claro, os meus também levaram), e muitos fantasminhas
por todo lado, como num filme de terror.
Mas ,não assustam ninguém,
eles já se habituaram nesse meio. :))
Segundo a leitura que fiz ,as figuras centrais na iconografia
do Halloween significa para eles tanto o medo
quanto a fascinação pelo desconhecido.
Notei também que levam a Bandeira Americana para onde
vão e é hasteada não só em lugares públicos também
nas suas residências. Protegem com rigor seu território.
Gosto disso.
Procurei entender o significado das suas cores fortes: o
vermelho simboliza Resistência e Coragem o branco
Pureza e Inocência e o azul Vigilância, Perseverança e
Justiça. As cinquentas estrelas brancas representa a União.
É bonita a Bandeira Americana.
A Festa do Halloween quem gosta muito é a criançada.
(2024 ,dezembro )
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sexta-feira, 29 de novembro de 2024
// dos meus novembros
' Pequenos rituais fazem ser como somos.'
Gostamos de viajar. Para a Europa.
Não foi fácil mudar de roteiro ,de segunda-feira,
de varanda, de janela.
Sem a padaria da esquina ,sem a banca de flores.
Sem avenida.
Não foi fácil mudar de aeroporto, de entrevistas imigratórias, de
idioma, de sotaque capixaba e de todos os protocolos recorrentes.
Enfim , deixaram a Lis entrar nos Estados Unidos.
Fácil foi desfazer as malas ,ver olhinhos brilhando com
os presentes abraçar e mimar os meus pequenos.
Perceber que o céu daquele lugar se agiganta encantador.
Sem montanhas. Só planícies.
Um afago para os olhos dos fotógrafos da natureza.
Cidade planeada nos míninos detalhes.
Usam com rigor o particípio do verbo planejar. Tudo muito bonito.
E, silencioso. Ruídos só de aviões cruzando baixinho.
É a Flórida dos Americanos.
Os brasileiros que o digam, estão todos lá... mas
não tem passarinho, não tem pardais,nem o canto do bem-te-vi.
Tem lagos e jacarés.
Mas, ninguém se importa, convivem bem.
Sem falar das tempestades tropicais e dos furacões
que não mais os assustam.
Não vi nenhum felino. Onde será que escondem os gatos?
Não, não é fácil mudar de cama,de madrugada, de sonho.
E muito menos fácil ficar mais longe de olhos que não vejo.
Adorei essa primeira vez no continente americano.
E quem não gosta de se aninhar aos seus?
Rir e se divertir nos parques do Walt Disney
se encantar com os 3D impressionantes, ficar de cara
com Mickey Mouse, no Magic Kingdom.
Ouvir encantada a Bela e a Fera, o Rei Leão
a Pequena Sereia , Peter Pan ,,, todos os clássicos.
Foi muita infância conquistada... (risos)
Mágicos dias. Momentos felizes.
Eis-me aqui ., amigos . De novo.
É sempre meu, esse fim de Novembro
não há outro jeito, senão envelhecer ...
(com permissão ou perdão, vou roubar a senha do amigo)
'Se escrevo
A luz
Não se apaga'
envelheço.
...
(liscosta, 2024, 29)
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terça-feira, 1 de outubro de 2024
/// para ver meus 'americanos'
Com viagem agendada, para a outra América, vou me ausentar
e deixar algumas palavrinhas aqui, que é
onde nos encontramos e entregamos um pouco de nós.
Essa será uma temporada diferente, vou trocar o frio da Suiça
pelo clima temperado dos americanos.
Estou indo de encontro a essa outra parte da família
que modéstia a parte, também é linda (o pai é o meu filho),corajosos
deixaram o Brasil e foram viver a vida lá fora.
Também estou vindo de algumas mudanças, mudei de cidade,
de casa, de janela,de céu, de mar, de paisagens ,
de praças e jardins. E de amigos.
Ganhei uma varanda e um pedaço do Atlântico, onde minha vista
alcança e deixa-se fotografar.
Houve perdas também. De bilhetes e bastidores.
Com filhos longe as viagens são frequentes. Outros ares.
Sempre bom recuperar os níveis de serotonina que dizem ser a
'harmonia da felicidade'.
Dito isso .Vou sair. De cena .
Amo muito vocês que me fazem companhia, me acarinham
com ternos comentários, faz com que a invisibilidade
(esse faz de conta), se torne quase real.
Confesso que quando saio penso se deveria voltar.
Minhas postagens tem conteúdos frágeis
Mais fantasia que fatos.
Mas,se precisar peço socorro e volto correndo,antes
mesmo que sintam falta ... Fiquem bem.
Com meu afeto e muitos muitos abraços.
Até mais.
(liscosta,outubro, 2024)
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(fotografia: álbum de família)
sábado, 28 de setembro de 2024
/// Tardezinha
Oitavo andar. Lá fora os galhos das árvores
balançam com a força do vento ,sempre as cinco horas
de todas as tardes Pássaros sobrevoam bem próximo
aos automóveis que circulam na avenida.
Indo e vindo. Paisagem do meu coridiano ,nem
meu ir nem meu vir nenhum porvir,
Distraidamente, digitaliza-se a beleza carregada
de abraços e beijos. E o vento sul
continua balançando os galhos verdes.
As visões só diluem quando névoas escuras aparecem
embebedando a noite,entorpecendo o esquecimento
sublimando essa cidade intrinsicamente minha.
'Haverá mais tardes como essa '?
(liscosta 2024, setembro)
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quinta-feira, 26 de setembro de 2024
// Intensa fulguração
Queria um poema cheio de excessos
um poema transparente que
aprissionasse o silêncio,
Chegasse numa explosão de gestos
e espanto a escorrer dos dedos.
(liscosta/setembro, 2024)
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(cenrto de Genebra, suiça, 2023)
segunda-feira, 23 de setembro de 2024
// sua mão sua eloquência
" Um verso que não diga por palavras,
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo,
me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve."
(José Saramago)
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sábado, 21 de setembro de 2024
/// aos pés de um lago azul
'O que é feito das palavras senão as palavras ?
O que é feito de nós senão as palavras que nos fazem?
Todas as coisas são perfeitas de nós
até ao infinito, somos pois divinos.
Já não é possível dizer mais nada
mais também não é possível ficar calado.
Eis o verdadeiro rosto do poema .
Assim seja feito: a mais e a menos.'
(Manuel Antonio Pina)
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(fotografia ,2023_ A linda Lausanne ,às margens do lago Léman
ou lago de genebra como é conhecido.
'Palavras ' não diz tudo, tem que ir lá,ver de perto)
quinta-feira, 19 de setembro de 2024
// das fugas sentimentais
As vezes queremos pedir : devolve aqueles bons momentos
joga fora os bilhetes , as palavras mal traçadas, as cores que enviei,
as histórias que troquei .Esqueceu , não sabe devolver ?
finge então que não dei nada .Nenhum som, nenhuma cor,
nenhuma flor. Nenhuma cidade, nenhum Van Gogh, nem Tom Jobim.
Vai dormir sozinho, com raiva, sem nada .E, se a dor no peito não
incomoda, me perca de vista e muito obrigada... me deixa fora desse
silêncio,do seu mundo sem paixão e sem graça.
Queremos pedir... As vezes.
(junho, 2024)
(releitura da música de Zélia Duncan)
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( fotografia _dezembro,2023, Genebra, em noite de festival de luzes)
terça-feira, 17 de setembro de 2024
/// beleza poética
Ela era Lo, apenas Lo,
pela manhã, um metro e quarenta e cinco de altura e um pé
de meia só. Era Lola de calças compridas. Era Dolly na escola.
Dolores na linha pontilhada.
Mas nos meus braços sempre foi Lolita.
( Vladimir Nabokov)
( extraído do livro LOLITA)
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domingo, 15 de setembro de 2024
/// das evidências empíricas
é em manhãs de domingos assim
que me deixo afundar nas palavras vazias
lembro de sonhos alterados cafés remarcados
ombros repousados à espera de um barco que me leve ao cais.
( outubro,2024)
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terça-feira, 10 de setembro de 2024
// do caderno ,os rabiscos
É tarde.
Não demora, o sol vai se esconder.
Todas as manhãs ele se aproxima na varanda
numa imutável trajetória.
As esperanças que estavam aspergidas no ar
não tocarão o solo.
Devaneios evaporarão nas nuvens que
encobre a realidade,
É noite.
Nada mais há a fazer.
Durma.( abril, 2024)
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Fotografia_( em LesCarroz d'Arachês,France,,na montanha )
domingo, 8 de setembro de 2024
/// doando palavras
'Como fazer para transformar as palavras em visões ?
Como fazer para celebrar o que nos dá sem negar aquilo
que se nos escapa?
Como fazer para converter a linguagem em
um refúgio antes que uma prisão, em um altar ?''
( r.juarroz)
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( rio Rhône, genebra, suiça, 2024)
terça-feira, 3 de setembro de 2024
// contemplação da palavra
'A palavra tem um olhar, ela
pode cair no nosso pensamento como
fruto maduro;
pode chegar até nós como uma festa ou renovar-se
em outras palavras e imagens;
pode cantar como pássaros , voar , produzir instantes de
epifania ou até mesmo ser um espaço de trânsito
porta e brecha.'
( R.Juarroz)
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