sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

/// subscrevendo ...


... 'se enveredamos por mundos de fantasia distantes da realidade,
    parece muito pouco relevante. O mais difícil , é na idade adulta,
    despertar-se desse sonho. A ficção perseguiu-me e enredou-me,
    fazendo-me continuar em passeios e solilóquios
 escritos em torno das hitórias inventadas...'
  
 (Cecília Meirelles)

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

// estamos frágeis ...


"No cesto das conquistas
coloco luz e ébano.
As dores bem arrumadas no centro
e à volta o cansaço, em calibre pequeno.
No cimo, ervas de respostas,
em jeito de resguardo,
evitando que o pulso dispare ourtra vez.
Disponho camadas de ócio;
ferro das manhãs quezilentas
Um papel vegetal de prudência.
E na asa tantos destemperos 
que a mão mal consegue unir-se,
tão febril e trêmula , Cheia de pavor
d'estilhaçar a vida."

maria f.roldão 

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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

/// não 'sextou' na sexta-feira :))


É verão _ o sol não se imtimida,resplandece demasiadamente eufórico
com um céu tingido de azul como numa pintura de Turner. 
   Um dia sem inspiração para sair a caminhar, porque a quentura
 é tão grande que impede algo romântico.
O corpo não responde. 
Bom lembrar do friozinho da neve que cai no inverno suiço.
Oh linda Genève !
Aqui só me salva um chá gelado, 
reler 'Encontros e Desencontros' da editora Quarteto,
 assistir um filme do jeito de  Al Pacino e
 quem sabe um correio eletrônico para que essa moleza de corpo
 não se instale e se transforme em saudade. 

( nada de pulinho no balneário ao lado),
 o planejamento deu todo errado,  e foi preciso desistir, por enquanto).
:///
( janeiro, verão, 2025 /liscosta )

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( a foto é da web,  não é WilliamTurner)

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

/// nesse janeiro quente

 Preciso estar a beira-mar quando não posso me dar ao luxo dos Alpes Suiços.
É bem difícil  o calor intenso do nosso verão brasileiro, apesar de lindo.
 Depois das chuvas um belo sol surge anunciando que agora é pra valer
 e pontualmente, sem pedir licença,entra pelas persianas
 com um brilho radiante.

Nada gentil. Nada romântico.
 
Por sorte, a casa fica perto do mar com aquele ar de maresia que disfarça.
O mar é calmo, não fosse os banhistas indo e vindo no frenesi do calor.
E esse agitar de pessoas ofusca a paisagem ,

 Por falta de sorte, os dias tem mais horas. 
 Preciso viajar até o balneário dos pescadores onde possa sentir a brisa,
  ver o sol nascer e apreciar o arrastão logo de manhãzinha,
 com a praia ainda limpa.
 É lindo o alvoroço da aves tentando se envolver com os peixes.
  Enquanto isso, daqui da varanda vejo bem-te-vis e
borboletas que me faz  lembrar o poeta Casemiro de Abreu,
que  no turbilhão urbano viu
 'uma borboleta atravessando a rua com o sinal vermelho'.
 Muito poético .;))

Se demorar voltar amigos, me procurem por lá ..
(liscosta,verão,2025)



Foto do passado _(arrastão : pesca que consiste puxar uma rede
 de arrasto atrás de um ou mais barcos)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

// memória mítica


"Nunca os frutos chegaram à boca tão frescos, 
Nunca o verde foi tão verde tão macio e
 molhado, o sangue tão vermelho ,
o azul tão maduro,tao lavado e tão limpo das impurezas 
que às vezes lhe toldam o perfil."

(Albano Martins)

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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

/// escritos de gaveta


A
 tarde vai caindo , assim ,úmida.
Chove monotonamente.
Uma certa melancolia encharca a minha varanda , numa
 junção de avenida molhada com chuva miudinha.

 faz lembrar aquela música da Calcanhoto ,,,
   " há algo que jamais se esclareceu, no dia que fui mais feliz,
 vi um barco embriagado ao mar, o ocidente se assombrar,
 e um avião se espelhar no seu olhar.  Até sumir.
 
E, de lá  pra cá ,não sei .
      Faço longas cartas pra ninguém"  

... enquanto lá fora, só anoitece . 

( 2025,Janeiro_liscosta)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

// ilusão de ótica


O filósofo grego Aristóteles mencionou que nossa mente
 pode ser facilmente manipulada pelo que vê.
 E, também pelo que não vê.
 Alguns pensamentos nos fazem ter momentos
 lúdicos, quase sempre ilusórios.Quase sempre não. Sempre.
Vivo a escrever coisinhas assim meio irreais,que
 provoca emoções das quais viver sem elas
 restringe muito a vida .
As vezes ,importa-me .Outras não.
  É só enroscar nos travesseiros e imaginar.
Isso não provoca desviar da realidade,  apenas
 deixá-la mais romântica., mais leve,
 mais gostosa. Sem gestos.
 Com palavras. Compridas. Confusas.
No silêncio.

(liscosta, janeiro/2025)

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

/// corpo a corpo


"Abre-te, Sésamo dos meus dias, 
 pulso das minhas veias dilatadas
 sobre o corpo do tempo,  concha da alegria.
 Estou  ainda aqui esperando a minha praia, o
 azul que me complete, um barco de espuma, um
 naufrágio dentro do meu sangue."
 
(Otávio Paz)

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

// soturnamente



 " Ouço correr a noite... Ouço correr a noite pelos sulcos do meu rosto 
dir-se-ia que me chama, que subitamente me acaricia,
 a mim, que nem sequer sei ainda como juntar as sílabas do silêncio
e sobre ela adormecer. "
'
(Eugênio de Andrade)

domingo, 5 de janeiro de 2025

/// ... e ninguém rouba

        amor transbordante amor sereno ... 
 
'Nada volta o mesmo duas vezes 
Nem o amor Nem as pessoas Nem a vida
Com o tempo tudo passa.
Vi com alguma paciência , o inesquecível 
tornar-se esquecido e o necessário., sobrar.'

( lendo,Gabriel Garcia Marques)

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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

/// em câmera lenta ...


... porque é verão e um Novo Ano acaba de acontecer . 
Amanheceu tão quente, tão quente
que pensei estar com febre. Não.
Acordei boa.  É  janeiro !  melhor época para sonhar  
e listar os desejos.
Tentar não mais polemizar com nossas dores
 nem com as do mundo. 
Polemizar só se for com minhas flores que
 florescem e depois morrem .

Por falar em desejos e sonhos  Por onde andam os meus ?

( liscosta, 2025 ,janeiro)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

// Feliz Ano Novo, meninos e meninas


Li por aí ... 
'A palavra arrebenta o incomunicável.
O choro arrebenta o indecifrável.
A palavra silencia , o choro cala.
Nem tudo é tocável. 
Talvez não se possa tocar 
mas se possa sentir .'

Que bom !
Podemos prosseguir assim ...

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( da minha varanda o espoucar de cores)

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

// Ano Novo, Nova Vida ?


,,,  para quê  ? se posso olhar para o  mar,
 observar a maré que 'tanto salva como afoga' 
mais ou menos como o 'amor que tanto traz como leva´.
   são tantas as dádivas !  essa ilha
 que é uma delícia .esse mar de fina areia sob meus pés
 os barcos à deriva. os coqueiros que dão cocos. os passarinhos
 pulando entre os galhos. essa luz solar se infiltando
 entre  minhas cobertas. a chuvinha chovendo nos meus olhos.
 Zéfiro me derubando,
 roçando minhas pernas  bagunçando meus cabelos
e o mais lindo milagre que me faz
 adormecer e despertar, as vezes até sonhar.

Ah ! e o café? o cheirinho do café todas as manhãs.
Um  Novo Caderno . 
Quem vem escrever comigo ?

( 2024/2025)

sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

// Um Bom Natal , amigos


"Porque um menino nos nasceu, um Filho se nos deu ;
e o Principado está sob os seus ombros ;
e o seu nome será : Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte,
Pai da Eternidade , Princípe da Paz."
(Isaias 9.6)

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

// das vogais


"Algumas são redondas, outras,
tem a forma consolidada dos cilindros.
Umas são óvulos de luz e apetece dizer 
que são pequenos sais de que o pó das estrelas
se alimenta. Do amarelo ao roxo, do branco ao verde
 e ao vermelho, elas são a múltipla paleta do arco-íris.
A paleta da fala, quando  a voz já não tolera as
 consoantes do silêncio."

(Albano Martins)

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Foto _ desnecessário fazer brilhar as árvores,
 estão é a machucá-las :(( 

domingo, 15 de dezembro de 2024

///entre silêncio e palavras


"Como cortar relações?
Às vezes tesoura cega basta 
noutos casos é preciso usar os dentes
o fio de uma peixeira 
a minúcia de um canivete suiço
Às vezes a substância é tão frágil
que com a idéia de um corte
 se desmancha
noutros casos há que cortar
 os mares."

(Adriana Lisboa)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

// 'escrevo escrevo e não paro'


É fim de tarde.
Mais um dia se esvai.
     A areia do tempo cai, aos poucos, na ampulheta, 
O sol se oculta, a noite vem meio nebulosa
Um novo Ano, prenuncia
   A esperança se escondendo, assustada , oprimida
  A vivência que acusa , não absolve 
No entanto,permanece, no fundo da alma
Uma coragem atrevida
  Empurrando as nuvens, tentando adiar
 algumas despedidas.

(2024, dezembro)

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

/// parte da paisagem


 "Duas mãos ,
 dois hemisférios cerebrais, 
 quatro cavidades cardíacas
 um par de ouvidos perplexos ,
 mais de duzentos ossos (três deles quebrados)
 e o sentimento do mundo.  Algo
 acontecendo em segredo, e o cerco
 da neblina em torno de velhas convicções .
 Um quarto de hotel ou mosteiro,
 o zazen informal de uma corda
 dedilhada ou  do gelo tilintando no copo,
 Um resto de elegância, Leonard,
e de loucura. O tempo que escorre,
este dar-se conta."

(Adriana Lisboa)

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domingo, 8 de dezembro de 2024

/// na mesa de cabeceira


Hoje 
"Queria um poema feito de excessos e dourados
 Ah ...      como eu queria um poema diferente da
   pureza do granito,   e  da pureza do branco e da 
       transparência das coisas transparentes.        
Um poema exultando na angúsita,       um  largo
rodondendro cor de sangue.          Uma alameda 
inteira de rododendros         por onde o vento, ao
passar, parasse deslumbrado e em desvelo.E,ali
ficasse,   aprisionado  ao         cântico   das suas
pulseiras tão (mas tão preciosas).
            
Nu  ,de redondas  formas, um tal poema queria 
Uma contra-reforma do silêncio.'
...
   
( Ana Luisa Amaral)

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

/// com um toque



"É tempo de ter um amuleto com um amor bordado dentro
 É tempo de cavar as palavras secas no fundo do poço
 É tempo de decobrir o rubi que você pensa que é uma pedra no sapato
 É tempo do tempo morto morrer dentro de você
 É tempo de fazer nascer o poeta inato que você é."
 ( Mano Melo)