
"Uma vez mais te esperei
para o almoço e nao vieste
Tirei as plantas do sol que está muito forte e coloquei na mesa a melhor toalha de linho
para o almoço e nao vieste
Tirei as plantas do sol que está muito forte e coloquei na mesa a melhor toalha de linho
(tinha que ser de linho) aquela bordada
onde as papoilas parecem ter vida;
E não vieste!
O sol, há muito que se foi...
Voltei a colocar as plantas lá fora
para que possam receber
os seus primeiros raios
quando chegar.
Dei leite à gata
e aferrolhei a porta.
onde as papoilas parecem ter vida;
E não vieste!
O sol, há muito que se foi...
Voltei a colocar as plantas lá fora
para que possam receber
os seus primeiros raios
quando chegar.
Dei leite à gata
e aferrolhei a porta.
Deixei na mesa a toalha de linho
bordada de papoilas
à espera que amanhã
a primavera
bordada de papoilas
à espera que amanhã
a primavera
te traga para o almoço!..."
Maria Mamede
Maria Mamede
Composição: Belchior
"Dentro do carro
Sobre o trevo
A cem por hora, ó meu amor
Só tens agora os carinhos do motor
E no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
Diminui o meu amor
Em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar
No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão
E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas
Em que foges do que é teu
No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu ."
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