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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Bonito bonito



"Queria escrever-te um poema doce
melancólico
como esta tarde de inverno soalheiro
quase no fim
onde te dissesse segredos guardados
nas arcas de mim…
queria escrever-te um poema manso
dolente como as águas
desse ribeirito
que mansamente desliza
campos fora
ao encontro do mar onde eterniza…
queria escrever-te um poema proscrito
desafiante, sensual
e bonito
bonito
bonito
e por ser proibido dizer-to ao ouvido!... "

Maria Mamede






( praia do canto, em vitória/es- janeiro/2011)

sábado, 15 de maio de 2010

PRIMAVERA



"Uma vez mais te esperei
para o almoço e nao vieste
Tirei as plantas do sol que está muito forte e coloquei na mesa a melhor toalha de linho
(tinha que ser de linho) aquela bordada
onde as papoilas parecem ter vida;
E não vieste!
O sol, há muito que se foi...
Voltei a colocar as plantas lá fora
para que possam receber
os seus primeiros raios
quando chegar.
Dei leite à gata
e aferrolhei a porta.
Deixei na mesa a toalha de linho
bordada de papoilas
à espera que amanhã
a primavera
te traga para o almoço!..."

Maria Mamede









Composição: Belchior

"Dentro do carro
Sobre o trevo
A cem por hora, ó meu amor
Só tens agora os carinhos do motor

E no escritório em que eu trabalho
e fico rico, quanto mais eu multiplico
Diminui o meu amor

Em cada luz de mercúrio
vejo a luz do teu olhar
Passas praças, viadutos
Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar

No Corcovado, quem abre os braços sou eu
Copacabana, esta semana, o mar sou eu
Como é perversa a juventude do meu coração
Que só entende o que é cruel, o que é paixão

E as paralelas dos pneus n'água das ruas
São duas estradas nuas
Em que foges do que é teu

No apartamento, oitavo andar
Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa
Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu ."


Imagem,google