quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

// amor confete alguma tagarelice


Ela era de poucos amigos.
Podia contar nos dedos aqueles
que preenchiam sua vida. Talvez aqui nesse caso  ,palavra
amigo nem caía bem.        Precisaria de uma palavra maior
mais vibrante.Quando se entrega tudo,coração,corpo,alma
(e paisagens),    qualquer palavra solta desperta um alerta
difícil de entender.  Desejava apenas um afago e não uma
palavra cuja  sonoridade só poetas entendem.Não tinha os
olhos dele, leitor.Também não podia medir o tom da voz se
suave,  doce, zangado ou indiferente, assim distante.Frágil
errava desaprovava sua semântica  Nada novo.   Sempre
inventava outros caminhos, recomeçava mil vezes,renovava
 votos, combinava encontros impossíveis, cafés, pic-nics ,até
 poesia dividia.
Ele_ ela não sabia. 
 Na sua sabedoria,ele ensinava, ela não assimilava. Gostava
 de se iludir e tinha cabeça cheia de caraminholas ,enquanto
 ele continuava teimoso poético lindo e irresistível.
 As vezes,riam-se disso,outras fingiam porque sabiam que tudo
 não passava de quimeras. Uma menina e um menino,apenas. 
Não sabiam o valor real da amizade.
E  nem o que mais os aproximava.
Se o silêncio ou a palavra.

(janeiro, 2024)

sábado, 27 de janeiro de 2024

/// das divagações


Quem viaja deve levar na bagagem  um pouco de silêncio
 para perceber com atenção toda a beleza das estações 
 seja inverno ou verão . Sentir outros sabores, o que vai
pelas cidades, a  mistura das linguagens, o sorrir ou não
sorrir , os cumprimentos, o comportamento ,o  vestuário,
 a cidade em movimento.
Nenhuma câmera fotográgfica  consegue captar  toda
 a beleza que há em qualquer paisagem. 
     Portanto, desfrutemos de tudo que nos
 faz suspirar. Ou chorar. Ou sorrir.
 Ou amar.
 A vida vai acabar  num lance qualquer.
Um dia.

(2024,janeiro)

( Ponte Hans Wilsdorf , fundador da marca Rolex) 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

// amor e flor


Inventaram um amor secreto,com
tudo para ser eterno, trouxeram em
 braçadas  para perto e ficaram à espera,que materializasse.
  Não entenderam a necessidade
do deslumbramento. Foi
só um alarme falso. O amor
 silenciou, não acabou. Nada que
é eterno tem pressa.

(janeiro, 2024)

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

/// das cartas e confetes - Parte VI


“O que você me diz” ? 
 escreveu ela  “posso ir à sua casa, por volta das oito, para filosofar?” Esse uso de código era típico. Se ela o quisesse, pediria livros ou tinta emprestados; ele gostava de dizer que precisava de conforto, como uma criança doente. Em seu diário,usava pontos e traços para registrar o que ele e ela haviam feito, quando e onde.  Após o terceiro encontro, ele escreveu : 

à la maison ,tout ". 

simplesmentelis, outroblog

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

/// trocando os termos


Assim eu quereria o meu poema
que fosse terno e simples
Ardente como um beijo
Que tivesse o perfume das flores 
a pureza das crianças
E a paixão dos poetas apaixonados.

( com a permissão de Manuel Bandeira)


simplesmentelis, outroblog 
(fotografia, Álbum de família)

domingo, 14 de janeiro de 2024

// pingue-pongue


Sempre assim :  escuta-se  uma voz avisando que não, melhor não, 
pode ser complicado , não faça isso de novo, você já sabe como
vai terminar ,  'melhor deixar o navio não se debruçar muito para
não se perder o horizonte '  mas vale é deixar o vento rasgar
 seus sonhos.
 ...
 Essas palavras,  o pálido retrato sobre a mesa ,
só capacita o silêncio por alguns
 dias . Poucos dias.
( janeiro, 2024)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

// c'est magnifique



Nessas minhas andanças anuais tenho visto muita beleza,
as nuvens formadas no céu durante voos, pela janelinha da aeronave é espetacular ,mas os flocos de neve caindo é ainda mais deslumbrante. Pinta a cidade como numa tela livre de Monet _ do branco aos tons de marron queimado.É um cenário idílico e um convite à contemplação.Quanto mais viajo mais amo a natureza .Muito linda !

( Genebra, janeiro, 2024)

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

// pequena distração


 S
em  preocupação com o silêncio.
   uma pequena distração
E ,escrevo-te

Invejo teu silêncio estudado 
 ensinaste-me em vão 
E ,escrevo-te

Falta-me teus olhos para acreditar
e tuas paisagens nas minhas
Falta-me !

   Um dia acordo e não estará mais
Nesse intervalo 
Escrevo-te.


( Les Carroz França/ bondinhos para o ponto mais alto da monntanha )
 2024, janeiro

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

/// lembrete para o novo Natal


'Cada vez que você acompanha sua mãe na consulta do médico,
 explica de novo para seu pai como usar o WhatsApp ,
convida seu avô para uma caminhada no seu quarteirão, é
 Natal . Basta uma gentileza, e você
 promove  ordinário a sagrado.'

(Fotografia, Port d'Ouchy, Lausanne, Suiça) 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

// Janeiro _ começos ou recomeços .


'Cada um tem a sua régua.
Medidas distintas para ver o mundo. 
Mais ou Menos.Menor ou Maior.
Uma regulagem conflituosa . Necessita equilibrio.
O ir e vir podem resumir-se também a Começos e Fins.
Sempre e Nuncas.
Se regulado pela vontade, significa permanência .
Seja Sim  Seja Não.
O que fica é, Imensurável. Já está. Estará. 
Obrigado. Foi. Muito. Bom.'

2023/2024

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

// o verbo amanhecer


Quando o Ano termina todos gostam de fazer um balanço.
Passou todo o tempo treinando. A imaginação.
Disse que o Ano foi bom, com poucos dias caóticos.   Muito sol
e dias luminosos.Também disse que cometeu erros à exaustão.
Criou um ambiente  cenográfico  e  atuava sem platéia porque
errava muito seus textos , era uma das razões de não conseguir
outros papéis.Ensaiava de tudo um pouco, as vezes um
 drama e ocasionalmente, romance.  Os artistas nunca
 entraram em cena. E assim, fecha-se o pano.
Sabe-se lá como irá sobreviver 2024  sem essa confusão com 
 viéz poético, que cai tão bem em qualquer enredo. Van Gogh
também pintava o que Sentia e não o que Via . Com um caderno
novo de presente dos deuses, certamente vai mudar o toque nos
pincéis e fazer o céu noturno se mexer, como o mestre ensinou.
 
O Ano está só acabando e Outro já vai começar  ! 

Feliz  Novo Ano, amigos !

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

// Aos amigos, Feliz Natal !


"Porque um Menino nos nasceu, um Filho se nos deu, e 
 o principado está sobre os seus ombros , e seu nome será:
 Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade,
 Princípe da Paz."
 (Isaias.9.6)
  
(fotografia_Natal dos pequeninos)

sábado, 9 de dezembro de 2023

//da fragilidade


O que fazer com as perdas e ganhos?
  O imprevisível sempre bastou.
Algum tempo, incertezas e dúvidas povoam.
 E como  aquele poeta  também não sei o que fazer
 com essas florinhas amarelas, se mando para enfeitar sua sala de jantar
 ou se as esmago. entre os dedos. Em noites assim,em
 que chove a cântaros lá fora e um vento 
bate asperamente no meu rosto, brinca com meu vestido,
 aproveito essa pausa no silêncio para me enganar.
 De novo. Nessa noite frágil.

simplesmentelis, outroblog

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

// dezembro, intensamente


Resta um pouquinho do fim. 
E aquela pergunta que não quer calar:
como ficará e o que ficará ?
...
Sempre a dúvida
sobre os mesmos motivos
e as muitas razões.
Hora de seguir em frente
Manter o equilíbrio
A coerência .O desejo
...
2023 já deságua. Em nós.
Pois que vá.
Já não adianta querer consertar
Ainda que com metáforas
e doces para enganar .
...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

// preparando o Natal ...


"Que o Ano inteiro se converta em Natal.
Então nos amaremos e desejaremos felicidades
ininterruptamente, de manhã à noite ,de uma rua a
outra, de continente a continente,
 de cortina de ferro à cortina de nylon ______ sem cortinas."

(Carlos Drumonnd de Andrade)

outroblog, simplesmentelis

sábado, 2 de dezembro de 2023

// das cartas e confetes V

Manhã de dezembro
A cidade já está elegantemente vestida.
É Natal por todo lado. Também aí ?  
O que presumo é o sol  já indo alto
Enquanto o 'inverno por aqui é quase glacial '
Fico aqui  pensando_que fazes nas primeiras horas do dia?
Sei que o nosso sol  quando levanta
 todo animado ,torra nossos neurônios ,
 ainda mais aí  desse seu lado. 
Aqui muito me agrada as mantas e meias e 
aquela total preguiça de sair da cama.
Confesso, para variar,  que já ando bem enciumada 
dos seus dias compridos ,das suas tardes de verão a 
beira-mar e do pôr-do-sol da sua varanda.
Será o ciúme instabilidade ou o seu  silêncio?
Gosto dos dezembros, é que logo vem o Janeiro, 
trazendo nossos cadernos limpinhos, para rabiscar 
...
Hoje apareço aqui só para deixar um chamego 
Sabe aquela máxima_ se não puder ver o rio , escute-o !
Mesmo tão longe de ti meus pés não param no chão
Sempre sonhando. Vou sair a  fotografar !
Bom Natal , menino.

terça-feira, 28 de novembro de 2023

// meus tempos


"Os anos ensinam coisas que os dias nao sabem."
O tempo é um presente.
( novembro/29)

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quarta-feira, 22 de novembro de 2023

// pousando em Lisboa



Bom mesmo é quando a aeronave pousa em Lisboa.
Sinto que por instantes, estou pertinho dos amigos portugueses.
É muito bom o sentimento,mas meu destino é um pouquinho mais longe.
Deixo um Brasil insuportavelmente quente com a sensação corporal 
de uns 50graus e mesmo em Genebra com 7., minha temperatura não
entende e permanece quente. Rejeito os casacos de frio.  A sensação
térmica aqui é agradabilssima, para quem veio do sol escaldante ... 
Tudo perfeitinho, primeiro estar com as meninas, as conversas
compridas, os abraços para matar de vez com aquela saudade_depois
reencontrar o mesmo lago com os barquinhos ancorados,
os chocolates, os vinhos e os relógios suiços. Sentir que tudo funciona.
Encontro a cor de outono ainda romanticamente intensa.
E, claro os cisnes e patinhos a nadar.
Não consigo trazer o coração inteirinho na bagagem ,fica sempre um
pedaço jogado por lá. Eu volto, certamente. Um dia qualquer.

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

// tempo de espera


O inverno europeu breve devolverá a minha melhor versão.
É a hora da felicidade.
Aquela  'pausa de mil compassos para ver as meninas'.
Hora de fazer a lição de casa, passando o francês a limpo.
E,claro aquele friozinho gelado pelas manhãs, tardes com sol pequeno
 o aconchego das mantas.
O verão do Brasil deixo para quem gosta de praias lindas e lotadas.

Daqui um pouco mais, vou indo. 
Vou saindo de cena com alguma antecedência porque preciso preparar casa
 para a minha felina e não ter o desprazer na volta encontrar sofá todo arranhado. 
Os felinos quando estressados costumam desobedecer.
E mesmo deixando alguém para substituir,sentem-se abandonados.
Tenho também de ir às compras para cumprir as muitas encomendas
 das coisinhas brasileiras, que vão desde a paçoca ao arroz integral.

 É só uma demora mais prolongada.
 Sempre que possível trago fotografias daqueles céus enfeitados com
  longos rastros de aviões que escrevem em branco, no azul.
 Também do sol que aparece sempre gentil brilhando entre as flores nos canteiros da cidadeonde é proibido pela 'convenção de Genebra' alguém meter a mão.
 quem sabe, terei alguma outra inspiração, com uns diazinhos de neve.

Enfim, muito bom viajar e experimentar as diferenças climáticas
 e pessoais de outros países.
Gosto dessa temporada do outono-inverno quando ainda encontro bocados de árvores envelhecendo, surpreender-nos numa qualquer manhã
 com sua copa totalmente nua.
 E os lagos?
 não nos deixa sentir falta do mar.
Sempre transparentes e de um azul-verde deslumbrante. 
Faça sol ou chuva,os cisnes estão por lá,deslizando a sua elegância natural.

Levo daqui na memória o inverno que passou incólume, sem nenhum frio, 
apenas o orvalho da noite na varanda,uma chuvinha miúda ,
um sol se metendo pontualmente entre os lençóis
 e o roçar da gata nas pernas,exigindo o café da manhã.

 Escrevi muito, costumo ser prolixa, quando o assunto me empolga.
Que o diga, um amigo anônimo ...
 :)) 
 Esperem-me, pois.
 Sei que vai bater uma saudade forte dos amigos
 adoravelmente 'adoráveis'.
Muitos beijinhos da Lis  e fiquem todos bem !

( na fotografia , o espelho engrandece ou apenas cresce ?)

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

// catando a poesia


"Minha vontade sempre foi subir ao topo da tua permanência e ,ali habitar-te.
Mas minhas impetuosidades foram expostas em direção a outros receios.
O teu templo exige vigilância, clausura e eu sou transitória.
      Mas há muito estirei minha alma sem arremedo a teus pés.
  Abasteci-me de palavras fieís , doces e consumadas.
Tanto fiz para te fazer um poema que te doesse dentro e que te 
esmagasse o estômago mas tu não entendes de sacrário nem de desbastes.
Por descuido passei a escrever na penumbra ,primeiro usei o lápis e o papel
em branco, mas tu não leste.Apontei  o carvão e escrevi na parede enquanto
dormias.Tu não leste. Então desenhei em baixo relevo na porta do quarto,no
chão da sala, no umbral da porta.
Quando viste, eu já tinha ido."

(jeanne araújo)