"Pra que os olhos do meu bem Não olhem mais ninguém Quando eu me revelar da forma mais bonita. Pra saber como levar todos os desejos que ele tem ao me ver passar bonita Hoje eu arrasei Na casa de espelhos Espalho os meus rostos E finjo que finjo que finjo Que não sei."
"Guardava o rouxinol numa caixinha. Tudo o que queria era andar com o rouxinol empoleirado no dedo. Mas, se abrisse a caixinha, ah! certamente fugiria. Então amorosamente cortou o dedo. E, através de uma mínima fresta, o enfiou na caixinha."
Marina Colasanti
Composição: Antônio Marcos / Mario Marcos
"Como vai você ? Eu preciso saber da sua vida Peça a alguém pra me contar sobre o seu dia Anoiteceu e eu preciso só saber Como vai você ? Que já modificou a minha vida Razão de minha paz já esquecida Nem sei se gosto mais de mim ou de você
Vem, que a sede de te amar me faz melhor Eu quero amanhecer ao seu redor Preciso tanto me fazer feliz
Vem, que o tempo pode afastar nós dois Não deixe tanta vida pra depois Eu só preciso saber Como vai você ? "
" ... ainda te levarei àquela casa onde floriam lilases e serpentes tão claras quanto a água deslizavam ao pé das macieiras. te mostrarei três lagos no horizonte três queijos maturando numa adega três lesmas escondidas sob um vaso. estará tudo lá à nossa espera morangueiras quebradas lagartixas.
Só não estará meu medo de menina aquele mais escuro que os cipreste secos no mato passos sobre a ponte garras na saia vento nos cabelos e o latejar das veias repetindo estou sozinha e ninguém me salva ."
Marina Colasanti
Fotografias da praia de Icaraí, numa manhã de domingo- Niteroi/Rio de Janeiro,Brasil
Tarefa cumprida! livro esquecido e a esperança que a pessoinha que encontrou saiba utilizá-lo bem.
Aproveitei pra fotografar o passeio, enquanto espreitava...
Foi uma aventura e tanto , dei algumas voltas no parque e nada ... o livro permanecia lá, teve
até uma visita linda , reparem só , uma garça !
Como senti que o recanto onde estava o livro era pouco frequentado resolvi mudar de local e pronto, foi rápido , um senhor aparentando ser "morador de rua" sentou e ficou folheando o livro.
Consegui uma foto, de longe ...
na primeira ele folheou , ficou uns isntantes lendo, depois olhou para o lado e colocou numa sacola de plástico.
Tomara tenha feito o dia dele diferente !
Gostei da boa ação .
Vou querer momentos assim, mais vezes.
Pra quem nao aderiu, há tempo! pode ser feito qualquer dia , basta querer !
abraços
Fotografias ,Lis - Campo de São Bento ,Icaraí/Niteroi-Rio de janeiro
Notinha - Comecei novembro ganhando presentes de Natal e estou apaixonada pelos livros de Yasmine Lemos. - " Vestida em versos" e " Rascunhos ." Deixo essa primeira palinha aqui. Aproveitem o link e sinta o privilégio de ser leitora dessa poetisa. Obrigada Yasmine!
A idéia surgiu dos blogs Luz de Luma e Tantos Caminhos e é a seguinte: - vamos esquecer um livro no banco da praça, no ônibus , no metrô, em qualquer lugar público e dentro dele deixar um bilhete pedindo que leiam e esqueçam também em algum outro lugar ,num ciclo de leitura formidável ! Querem aderir ? Vamos combinar entao no dia 08/11 ( segunda-feira) todos "esquecendo " seu livrinho por aí rs ( fiquei horas pra decidir qual dos meus ia deixar ) , e torcer pra que seja bem acolhido por alguém que vá ler carinhosamente, e seguir a regra que é, após lido , devolver à rua .
Vou "esquecer" "A Nova Mulher" um livro de crônicas da escritora/poeta Marina Colasanti ( foto no ladinho)
De sua autoria : Rota de Colisão ( mil faces)
"De quem é esta pele
que cobre a minha mão
como uma luva?
Que vento é este
que sopra sem soprar
encrespando a sensível superfície?
Por fora a alheia casca
dentro a polpa
e a distância entre as duas
que me atropela.
Pensei entrar na velhice
por inteiro
como um barco
ou um cavalo.
Mas me surpreendo
jovem velha e madura
ao mesmo tempo.
E ainda aprendo a viver
enquanto avanço
na rota em cujo fim a vida colide com a morte."
Marina Colasanti, nasceu em Asmara (Etiópia), 1937 e chegou ao Brasil em 1948, e sua família se radicou no Rio de Janeiro. Em 1968, foi lançado seu primeiro livro, de lá para cá, publicaria mais de 30 obras, entre literatura infantil e adulta. Em 1994 ganhou o Prêmio Jabuti de Poesia, por Rota de Colisão . Suas crônicas estão reunidas em vários livros, dentre os quais " A Nova Mulher". Nele, a autora reflete, sobre a situação feminina, o amor, a arte, os problemas sociais brasileiros, sempre com aguçada sensibilidade.
"Disseram-me para olhar a lua como fazem os apaixonados. Nada aconteceu. "Quero um poema teu ." Em vez disso entrancei-te uma grinalda de luas-cheias-de-promessas e de quartos-crescentes-de-desejo. E passei a noite, em branco, contigo. " Teresa Guedes
"Num apartamento perdido na cidade, Alguém está tentando acreditar Que as coisas vão melhorar ultimamente. A gente não consegue Ficar indiferente debaixo desse céu
No meu apartamento Você não sabe o quanto voei, O quanto me aproximei de lá da Terra Num apartamento perdido na cidade, Alguém está tentando acreditar Que as coisas vão melhorar ultimamente. No meu apartamento Você não sabe quanto voei, O quanto me aproximei de lá da Terra.
As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar. Na medida do impossível tá dando pra se viver. Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível Como você e eu e o céu. Num apartamento perdido na cidade Alguém está tentando acreditar Que as coisas vão melhorar ultimamente A gente não consegue Ficar indiferente debaixo desse céu.
No meu apartamento Você não sabe o quanto voei O quanto me aproximei de lá da Terra, não. As luzes da cidade não chegam as estrelas sem antes me buscar. Na medida do impossível tá dando pra se viver Na cidade de são paulo, o amor é imprevisível Como você e eu e o céu."